domingo, outubro 31, 2004

19 anos

A Quercus completa hoje 19 anos de vida. É impensável imaginar agora a discussão ambiental sem este parceiro de todas as horas, elemento indispensável que representa a sociedade civil e a acção cívica desinteressada em defesa do Ambiente.
Começou com a mera pretensão de promover acções de conservação da natureza, mas cedo percebeu que a sua área de intervenção poderia e deveria ser mais ampla, abraçando a agora popularizada noção de desenvolvimento sustentável.
Ao longo destes anos, e por inerência também de um projecto de investigação que realizei no âmbito da tese de mestrado, acompanhei o crescimento desta associação. Proponho-vos hoje um exercício de recordação:
A melhor acção: É discutível, mas o processo de contestação à entrada do navio de pavilhão cipriota no porto de Leixões em 2000 está na minha lista de preferências. Bem coordenada, com contornos espectaculares e com forte impacte em todos os meios de comunicação, esta abordagem à embarcação que transportava madeira exótica ficou na minha memória. Anos mais tarde, conheci o intrépido activista que chegou a ser preso nesse dia. É hoje um amigo e um colaborador da publicação onde trabalho.
A maior vitória: Escolho duas. A consagração constitucional do direito à não caça dos proprietários de terrenos foi essencial. Por pressão da Quercus e outros agentes, conseguiu-se, pela primeira vez, consagrar este direito, tão evidente como difícil de obter. Por outro lado, destaco também a criação do Parque Natural do Tejo Internacional, iniciativa de grande fôlego, com forte cunho da Quercus, que partiu para o terreno, adquiriu hectares e ofereceu-os a acções de conservação e educação ambiental.
O pior momento: Julgo que a maioria dos dirigentes da Quercus não esconde que o pior momento foi vivido com a difícil saída de alguns dirigentes em meados da década de 1990. A perda de quadros e sobretudo a saída de alguns elementos para a trincheira dos opositores constituíram os momentos mais negros da vida da associação.
A batalha mais longa: A contestação à central de co-incineração de Souselas. Nem sempre foi bem articulada, nem sempre foi bem explicada. Mas não restam dúvidas de que a Quercus tirou desta batalha o seu certificado de habilitações para acções de grande envergadura, extremamente desgastantes e complexas.
A acção mais divertida: É uma escolha muito pessoal, porque assisti de perto ao processo. A contestação em pijama nos relvados da Alameda da Universidade, em Lisboa, contra o ruído intenso provocado pela circulação aérea nas horas nocturnas foi muito engraçada. Inesquecível a visão de alguns dos actuais responsáveis da associação em pijama de listas, entrevistados por repórteres encasacados e incrédulos.

Aqui ficam então os parabéns pelo 19.º aniversário. Que a Quercus conte muitos mais.

4 comentários:

Anónimo disse...

Acabei de conhecer este novo blogue através do Ambio. Parabens pela qualidade e conteúdo das postas. Acrescentei-o à lista do Ondas. OLima.
ondas.blogs.sapo.pt

Joao Soares disse...

Viva, Gonçalo
Parabéns pela tua iniciativa.
Mais blogues sobre Ambiente é sempre bem-vindo.Brevemente irei pôr um link no BioTerra. Voltarei em breve.
Um abraço

Anónimo disse...

Parabéns Quercus, fica um convite a um olhar para www.a-sul.blogspot.com , o blogue ambientalista da outra banda

Jorge Frias disse...

Ó pá, toda a gente sabe que a quercus é uma tanga. Poucas instituições tem feito tanto para travar o desenvolvimento do país.