quinta-feira, janeiro 03, 2013

Projecto Genographic


Não tenho a certeza se será uma boa notícia, mas cá vai. Há alguns meses, fiz o teste Genographic, um tremendo projecto da National Geographic sobre a origem genética da população mundial. Os resultados chegaram agora. 
Entre muitas outras informações, recebi este dado: 1,8% do meu DNA é de Homo neanderthalensis e 2,8% de Denisova hominins. A minha mulher discorda. Ela diz que deve ser muito mais do que isso!

O projecto baseia-se na entrega voluntária de um kit para recolha de material genético, de acordo com salvaguardas de protecção de dados e anonimato se o participante assim o entender. Funciona tal qual o kit forense que vemos nas séries policiais. Um cotonete para esfregar o interior da boca recolhe  material suficiente para teste genético, que é enviado por via postal para os laboratórios do Genographic.


Com essa matéria-prima e graças ao contributo de várias centenas de milhares de participantes em 140 países, a equipa do Genographic já dispõe de um volume de dados que permite co-relações entre os dados do recém-chegado ao projecto e os dados das várias populações ali representadas. No meu caso, por exemplo, permitiu comparar os meus marcadores genéticos com o valor-padrão assumido para cada área regional do globo. Concluiu-se assim que a maior herança genética no meu DNA é mediterrânea (notem que o projecto não sabe de que país veio a amostra em causa e só saberá se o participante o autorizar).





Com esses dados, é possível avançar mais um passo. Se o meu perfil partilha mais de 50% de património genético com as populações mediterrâneas, é possível tentar encontrar na base de dados do projecto a população nacional com herança genética mais parecida com a minha. Apurou-se então que a minha primeira população de referência é a grega. Sem surpresa, a segunda população de referência é ibérica.





Por fim, o projecto dá o último passo. Retrocedendo geração a geração, procura o rasto das migrações dos meus antepassados, assumindo – como hoje a história e a genética assumem sem receio – que todos descendemos de uma população originalmente africana que abandonou o continente em vários fluxos migratórios. Obtém-se assim o mapa dessas migrações relativo a cada indivíduo. O meu foi este. Sugere que são estes os ramos de progressão da linhagem humana da qual eu – e o leitor – descendemos.




Acompanhe as notícias do projecto, descubra o que vai evoluindo e, se quiser investir algum dinheiro, descubra também os seus marcadores genéticos de referência aqui.

1 comentário:

Fernando Nascimento disse...

Olá, fiquei curioso com esse teste, será que vale a pena o valor? Não quer partilhar mais informação fornecida pelo teste? Cumps