segunda-feira, dezembro 26, 2016

Propaganda subconsciente no "Mundo Gráfico"


Pergunta-me um amigo como sei que a revista Mundo Gráfico fazia a propaganda aliada durante a Segunda Guerra Mundial em contraponto com A Esfera, publicação germanófila do mesmo período. O conteúdo fala por si, mas a resposta mais simples pode ser dada pela imagem anexa. Até os problemas das palavras cruzadas tinham como solução Roosevelt e Churchill!
A partir de arquivo da Hemeroteca Digital

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Manuela de Azevedo na JJ


«A jornalista respira fundo ao entrar na cozinha. O nome do cozinheiro foi o seu cavalo de Tróia, o estratagema para obter acesso até à intimidade do homem que, durante um mês, fora rei em Itália e se vira obrigado ao exílio depois de um referendo ter dado vitória esmagadora à solução republicana. Enquanto troca palavras confusas com o cozinheiro, procurando congeminar um plano que justifique a sua presença na Quinta da Piedade, aproxima-se o rei, recém-chegado dos seus passeios higiénicos pela serra. Olha-a com curiosidade, de bengalinha na mão, e avança. Manuela de Azevedo poderia ter confessado logo ali o seu propósito: queria entrevistar o soberano que recusara os esforços de toda a imprensa europeia desde que chegara a Portugal uma semana antes. Queria mostrar aos camaradas do Diário de Lisboa que era tão destemida como eles. Num ápice, porém, o rei avançou e a oportunidade esfumou-se.»


Excerto do artigo que publico na "Jornalista e Jornalistas" deste mês, disponível aqui.

Ilustrações de Draftmen.

segunda-feira, novembro 21, 2016

quarta-feira, setembro 21, 2016

Recensão no Acrítico

«Este livro é uma excelente contribuição para conhecermos o sucesso com que o país enfrentou a ameaça da gripe A, permitindo traçar linhas de orientação para o futuro, bem como perceber os modelos de cobertura jornalística adotados pelos media em situações de risco social, ambiental ou de saúde pública.»
A gentileza de António Ganhão na primeira (e incisiva) crítica ao meu novo livro. Pré-publicação no indispensável Acrítico - António Ganhão: ver aqui.
Muito obrigado.

quinta-feira, setembro 15, 2016

A Gripe e o Naufrágio

Um petroleiro à deriva na Galiza, em risco de afundamento e consequente derrame de crude. Uma pandemia perigosa, anunciada como a gripe do século, com uma taxa inédita de mortalidade associada.
- Como lidam as notícias com o risco.
- Como se constroem narrativas sobre temas em aberto, sem um desfecho previsível.
- Como lidam os gestores de crise com os meios de comunicação.

Gonçalo Pereira Rosa, investigador da Universidade Católica Portuguesa e director da edição portuguesa da National Geographic, entrevistou gestores de crise, ministros e jornalistas. Reabriu planos de contingência da crise do Prestige e da pandemia de gripe A. 
Analisou a cobertura noticiosa de jornais e televisões e concluiu que a curva de noticiabilidade de um acontecimento típico da sociedade de risco quase nunca tem correspondência com a curva de gravidade definida pelos gestores de risco. 
“A Gripe e o Naufrágio” – em breve nas bancas, com a chancela da Arranha Céus e apoio do Gabinete para os Meios de Comunicação Social.

segunda-feira, setembro 05, 2016

Remoção de alguns textos


Os mais atentos notarão que, nos últimos dias, o blogue perdeu cerca de uma dezena de crónicas, removidas para polimento, como se faz nas oficinas.
Espero recolocá-las aqui noutro formato nos próximos meses.
Como sempre fico grato pela preferência e palavras de encorajamento.

sexta-feira, agosto 12, 2016

A ave e o jornalismo de proximidade

Fotografia de Luís Ferreira. Selvagens, Madeira.
Há uma dimensão poética nas missões solitárias como aquela a que o fotógrafo Luís Ferreira se dedica nos últimos cinco anos, tanto mais que ela foi abraçada sem qualquer garantia de publicação futura. Como nos filmes de aventuras, o Luís atirou-se primeiro para o vazio, na esperança de que, do lado de lá, existisse algum ponto de apoio. E existia.
Durante cinco anos, sempre que pôde, o fotógrafo trabalhou na maioria dos ilhéus e ilhas mais remotos do território português. Não haverá aliás muitos indivíduos que possam, como ele, gabar-se de já terem pisado as Desertas e as Selvagens, as Berlengas, o Corvo e o ilhéu de Vila Franca do Campo, bem como as maiores ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira. Nada, no projecto, tinha dimensão turística ou idílica – como um pisteiro, o Luís perseguia uma ideia e não uma paisagem.
Publicamos, na edição de Agosto da revista, uma amostra reduzida do seu extraordinário trabalho fotográfico com as cagarras, uma das poucas aves que nidifica nos Açores, na Madeira e em Portugal Continental (se fizermos o jeitinho de considerarmos as Berlengas neste lote).
A cagarra não é um objecto de trabalho fácil, apesar de razoavelmente abundante nos contextos insulares. Os seus hábitos nocturnos dificultam a vida de quem precisa da luz como de pão para a boca. A exuberância dos seus comportamentos expressa-se sobretudo lá longe, no oceano, onde nenhum humano consegue acompanhar a extraordinária obstinação migratória da ave. E os comportamentos mais raros – aqueles que foram vistos por escassos peritos – têm lugar em curtos intervalos de tempo durante o ano.
Para enfrentar esta montanha de adversidades, o Luís contou com o apoio precioso da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), à qual a revista fica a dever mais um gentileza entre muitas outras. Os biólogos da SPEA concederam acesso total às suas operações, assim o Luís conseguisse acertar o seu relógio biológico pelo dos especialistas, que visitam ninhos à noite e fazem três rondas durante ciclos de 24 horas para pesagens e medições.
O resultado do projecto – ou melhor, uma amostra do projecto – pode ser consultado na edição de Agosto da National Geographic. Algumas das fotografias registam momentos que até à data ainda não tinham sido captados nesta espécie. A ciência, produzida pela SPEA em mais de uma década de trabalho com as áreas importantes para as aves no Atlântico Norte, é entusiasmante. E fica entretanto prometido um livro, co-assinado pelo Luís Ferreira e pelo Pedro Geraldes, onde toda a diversidade fotográfica captada em cinco anos no campo pode ser apreciada.
Com frequência, chegam à redacção da revista propostas ousadas de aventureiros dispostos a explorar os confins mais distantes do globo para relatar a história das suas vidas. O projecto fotográfico do Luís Ferreira acaba por sublinhar uma dimensão omnipresente naquilo que fazemos, enunciada em 1888 pelos fundadores da National Geographic Society: interessa-nos o mundo e tudo o que ele contém.
Com frequência, a história de uma vida pode estar mesmo ao virar da esquina. Basta encontrar uma narrativa que os outros queiram ouvir.