Prezada Dra. Fernanda Asseiceira,
Na qualidade de director da edição portuguesa da revista National Geographic, fui membro do júri que, em Maio deste ano, atribuiu ao concelho a que V. Exa. preside, o prémio Progeo 2010. Trata-se, como sabe, do galardão destinado a premiar o município que mais faz pela promoção do património geológico no nosso país.
Notará, pela acta dessa reunião, que o prémio foi então atribuído por unanimidade pois todos os membros do júri consideraram que o Carsoscópio – Centro de Ciência Viva do Alviela (CCVA) era uma infra-estrutura incomparável, uma aposta decidida da vila de Alcanena no sentido de dar a conhecer o seu património natural, utilizando novas tecnologias, percebendo a importância da linguagem descomplexada na comunicação com o público e assimilando as especifidades da nascente do Alviela na sua oferta cultural, o que tornou este Carsoscópio um dos mais extraordinários Centros de Ciência de Viva do nosso país.
Os números disponibilizados pelo CCVA na Internet são aliás reveladores da resposta que o país está a dar a esta infra-estrutura ímpar no concelho e na região: são 48 mil visitantes em cerca de dois anos. Sabendo que o Centro tem uma capacidade máxima diária de 300 visitantes, em função dos limites naturais dos dispositivos colocados à disposição dos visitantes, percebemos que o Carsoscópio está a cumprir a função que lhe foi atribuída e a justificar os 2,8 milhões de euros que custou no final de 2008.
Voltei hoje a visitar o Carsoscópio, cinco meses depois da atribuição do prémio, e é com mágoa que noto que esta infra-estrutura, promovida pela Câmara Municipal de Alcanena no mandato do seu antecessor, está urgentemente carente de manutenção. Os magníficos dispositivos multimedia concebidos pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria continuam no local, mas muitos já não funcionam, sobretudo no quiroptário, uma das três unidades que compõem o Carsoscópio.
O dispositivo auditivo para escutar os morcegos está mudo. O dispositivo térmico para sentir a amplitude de temperaturas vivida pelos animais está avariado. As experiências de ecolocação para “ver” o mundo como os morcegos estão também fora de serviço. Igualmente avariado está o aparelho para avaliar o peso do alimento diário de um morcego, que fazia há alguns meses a alegria dos jovens visitantes, ao calcular o alimento que um ser humano teria de comer de forma a conseguir ingerir metade do seu peso num único dia. A visita continua a ser agradável, mas a sensação que ali se transmite é a de um Centro de Ciência Viva que lentamente vai perdendo o viço.
Asseguro que são pequenas reparações, pouco onerosas face ao investimento inicial e estou certo de que V. Exa. ainda não tomou conhecimento da sua necessidade. Mas a verdade é que o visitante abandona a visita ao Carsoscópio incrédulo com esta estranha aposta em turismo cultural que, menos de dois anos depois da inauguração, parece deixada ao abandono, sem manutenção nem cuidado, apesar do profissionalismo e boa disposição dos guias.
Não quero nem devo acreditar que o desleixo da manutenção se possa dever ao facto de esta obra ter sido inaugurada no mandato anterior. O Carsoscópio – Centro de Ciência Viva de Alcanena não pertence a um edil ou a um partido. Pertence a todos os alcanenenses e a todos aqueles que querem usufruir, por uma hora e meia, da sensação reconfortante de estar no interior de um espaço cultural moderno e actualizado, ao nível ou melhor do que vemos nos outros países da União Europeia.
Tomo a liberdade de dar conhecimento desta carta aberta a V. Exa. ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, à Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria e à Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, parceiros do projecto desde a primeira hora.
Certo de que V. Exa. tomará as providências necessárias para restaurar a configuração original do Carsoscópio – Centro de Ciência Viva do Alviela e que este voltará a ser um pólo dinamizador do turismo no concelho desta vila, aceite os meus melhores cumprimentos.
sábado, outubro 09, 2010
quarta-feira, outubro 06, 2010
Açores na rede
Há um novo portal sobre o Ambiente terrestre dos Açores. Foi maioritariamente produzido por um amigo e é uma ferramenta estupenda para explorar a bio e geodiversidade da região. Ora espreitem: aqui.
terça-feira, setembro 07, 2010
O meu nome em hieróglifos
segunda-feira, setembro 06, 2010
Legendas criativas

Desconfio que a legenda que ontem saiu no "Público" a acompanhar esta imagem está errada. Ou isso ou a história da simpática missionária nascida na Macedónia e naturalizada indiana está muito mal contada. Parece que estou a ver o trailer do filme: "Ela é uma freira que quer salvar o mundo. Conhece apenas uma linguagem ...– a da bazuca. Teresa de Calcutá, uma santa na obscuridade".
quarta-feira, agosto 04, 2010
Carlos Almaça (1935-2010)
Faleceu Carlos Almaça.
O professor Almaça foi um mestre e um bom amigo da revista National Geographic. Começámos com o pé esquerdo, há mais de uma década. Quis ouvi-lo sobre a introdução do evolucionismo na academia portuguesa e interroguei-o displicentemente, sem ter lido as suas obras e artigos académicos. Precisava apenas de duas frases de discurso directo, mas essas linhas custaram-me a primeira reprimenda.
- Leu "A Origem das Espécies" de Darwin?, perguntou.
- Li partes, respondi com displicência.
- Então leia tudo, do princípio ao fim, e depois falamos, ripostou, sem me dar tempo para mais explicações. Com ele, ou se sabia, ou não se sabia.
Daí para a frente, prolongámos este ritual várias vezes. Era um especialista na história da ciência portuguesa, uma disciplina tão esquecida pela academia. Recorri ao professor Almaça muitas vezes, pedindo-lhe conselhos e opiniões. Nunca mais me esqueci da primeira conversa e não voltei a abordá-lo sem ter lido exaustivamente tudo o que encontrava sobre cada tema.
Falámos no mês passado pela última vez, como tantas vezes tínhamos feito. Ajudou-me então a separar o trigo do joio numa peça sobre os naturalistas portugueses do século XIX. A voz tremia, a respiração já era irregular, mas mantinha a lucidez de sempre. Recordo com emoção a sua defesa obstinada da ciência portuguesa e dos seus profissionais. Nunca me deixava começar a lengalenga do "país rural, quase analfabeto, com uma ciência atrasada". Batia-se pelos seus pares oitocentistas. Defendia-os. Citava exemplos e causas nobres e lembrava contextos adversos. Era um homem da ciência.
Estou desolado.
O professor Almaça foi um mestre e um bom amigo da revista National Geographic. Começámos com o pé esquerdo, há mais de uma década. Quis ouvi-lo sobre a introdução do evolucionismo na academia portuguesa e interroguei-o displicentemente, sem ter lido as suas obras e artigos académicos. Precisava apenas de duas frases de discurso directo, mas essas linhas custaram-me a primeira reprimenda.
- Leu "A Origem das Espécies" de Darwin?, perguntou.
- Li partes, respondi com displicência.
- Então leia tudo, do princípio ao fim, e depois falamos, ripostou, sem me dar tempo para mais explicações. Com ele, ou se sabia, ou não se sabia.
Daí para a frente, prolongámos este ritual várias vezes. Era um especialista na história da ciência portuguesa, uma disciplina tão esquecida pela academia. Recorri ao professor Almaça muitas vezes, pedindo-lhe conselhos e opiniões. Nunca mais me esqueci da primeira conversa e não voltei a abordá-lo sem ter lido exaustivamente tudo o que encontrava sobre cada tema.
Falámos no mês passado pela última vez, como tantas vezes tínhamos feito. Ajudou-me então a separar o trigo do joio numa peça sobre os naturalistas portugueses do século XIX. A voz tremia, a respiração já era irregular, mas mantinha a lucidez de sempre. Recordo com emoção a sua defesa obstinada da ciência portuguesa e dos seus profissionais. Nunca me deixava começar a lengalenga do "país rural, quase analfabeto, com uma ciência atrasada". Batia-se pelos seus pares oitocentistas. Defendia-os. Citava exemplos e causas nobres e lembrava contextos adversos. Era um homem da ciência.
Estou desolado.
domingo, abril 11, 2010
O acesso à profissão de jornalista
Declaração de interesse: para além de profissional de jornalismo, sou docente convidado numa faculdade de ciências humanas em Lisboa. É legítimo, pois, concluir que tenho interesse em promover o debate sobre o ensino do jornalismo em Portugal.
Imagine-se sentado numa mesa de operações, prestes a ser submetido a uma intervenção cirúrgica, quando descobre que o indivíduo que o vai operar não concluiu a sua formação, embora os colegas reconheçam que ele até tem jeito para o bisturi. Em alternativa, transporte-se para um tribunal, onde o advogado que o vai defender acumula vinte anos de tarimba, mas não passou pelo exame dos pares exigido pela lei. Ou o farmacêutico que o atende e lhe explica que se foi oferecer à farmácia quando era novo e foi aprendendo por tentativa e erro as virtudes dos medicamentos.
Insólitas na medicina, na advocacia ou na farmácia, estas situações são comuns no jornalismo. Esta é uma profissão onde, contra todas as expectativas, os candidatos desconhecem os requisitos de acesso e as provas indispensáveis ao acesso à redacção. As redacções continuam repletas de jornalistas que se candidataram espontaneamente ou responderam a concursos e foram admitidos depois de períodos – longos ou curtos – de colaboração regular disfarçada.
A identidade de qualquer profissão expressa-se na fronteira traçada por um conjunto de normas universalmente aceites de acesso à profissão e pelo reconhecimento externo de que os profissionais que as cumpriram são os únicos com um mandato social para desempenhar as funções. Como um recente ensaio de Sara Meireles Graça demonstra , o acesso às redacções portuguesas é desregrado, dependendo mais da vontade da hierarquia e das administrações das empresas jornalísticas do que de qualquer outro critério.
Com centenas de candidatos espontâneos a afluir às redacções todos os anos, o jornalismo personificou a lei da selva de Kipling, criando uma legião de trabalhadores com vínculos instáveis, mal remunerados ou nem sequer remunerados e facilmente substituíveis pelos empregadores. Sem regulação no mercado, a profissão perdeu estatuto social, estabilidade e independência.
O Estatuto do Jornalista de 1999 evitou uma decisão categórica sobre a questão. Impôs obediência ao código deontológico, o exercício permanente e remunerado de funções, a escolaridade obrigatória, quatro anos de experiência ou tarimba e um estágio obrigatório de 24 meses, teoricamente orientado por um jornalista, mas efectivamente sem regras. Uma alteração legal, publicada em 2007, valorizou um pouco mais a licenciatura, reduzindo o estágio dos licenciados de 18 para 12 meses e obrigou as empresas de comunicação social a comunicarem à Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas (CCPJ) e ao conselho de redacção (se existente) a admissão de todos os estagiários e o nome dos orientadores. Que se saiba, esta informação nunca foi submetida.
Há um enorme lirismo na exaltação das virtudes dos saberes complementares que se juntam nas redacções e da tarimba como escola de vida. Pedindo desculpa aos muitos jornalistas que conheço e que compensaram a ausência de formação específica com o saber acumulado na redacção, considero que esse acesso franqueado constitui ainda um contributo para a amálgama identitária referida.
O problema de fundo continua a ser a falta de uniformidade nos mecanismos de acesso. Impõe-se, a meu ver, a uniformização curricular das licenciaturas que pretendam formar jornalistas, incorporando a dimensão técnico-profissional nos programas, sem desleixar a dimensão deontológica, a preparação tecnológica e o enquadramento profissional num contexto mais amplo de preparação intelectual. Impõe-se a redução e triagem das instituições credenciadas para fazer esta formação. Impõe-se o recurso a jornalistas e a empresas de jornalismo para colaborar na construção destes programas. Impõe-se ainda a credibilização do estágio de acesso à redacção e da respectiva orientação. Impõe-se por fim a vigilância e sanção dos profissionais não certificados que, como o médico que se prepara para operar sem licença, não estão credenciados para o fazer.
Uma das limitações do Estatuto do Jornalista é a designação do poder de atribuição e cassação da carteira profissional à CCPJ, presidida por um juiz. Essa formulação constitui uma ingerência intolerável no processo de formação profissional, uma regulação externa que, em conformidade com as ideias acima expressas, deveria recair exclusivamente sobre os ombros de jornalistas. Será mais um elemento para o debate que urge fazer sobre a oportunidade e mérito de estruturar o jornalismo em torno de uma ordem profissional.
Imagine-se sentado numa mesa de operações, prestes a ser submetido a uma intervenção cirúrgica, quando descobre que o indivíduo que o vai operar não concluiu a sua formação, embora os colegas reconheçam que ele até tem jeito para o bisturi. Em alternativa, transporte-se para um tribunal, onde o advogado que o vai defender acumula vinte anos de tarimba, mas não passou pelo exame dos pares exigido pela lei. Ou o farmacêutico que o atende e lhe explica que se foi oferecer à farmácia quando era novo e foi aprendendo por tentativa e erro as virtudes dos medicamentos.
Insólitas na medicina, na advocacia ou na farmácia, estas situações são comuns no jornalismo. Esta é uma profissão onde, contra todas as expectativas, os candidatos desconhecem os requisitos de acesso e as provas indispensáveis ao acesso à redacção. As redacções continuam repletas de jornalistas que se candidataram espontaneamente ou responderam a concursos e foram admitidos depois de períodos – longos ou curtos – de colaboração regular disfarçada.
A identidade de qualquer profissão expressa-se na fronteira traçada por um conjunto de normas universalmente aceites de acesso à profissão e pelo reconhecimento externo de que os profissionais que as cumpriram são os únicos com um mandato social para desempenhar as funções. Como um recente ensaio de Sara Meireles Graça demonstra , o acesso às redacções portuguesas é desregrado, dependendo mais da vontade da hierarquia e das administrações das empresas jornalísticas do que de qualquer outro critério.
Com centenas de candidatos espontâneos a afluir às redacções todos os anos, o jornalismo personificou a lei da selva de Kipling, criando uma legião de trabalhadores com vínculos instáveis, mal remunerados ou nem sequer remunerados e facilmente substituíveis pelos empregadores. Sem regulação no mercado, a profissão perdeu estatuto social, estabilidade e independência.
O Estatuto do Jornalista de 1999 evitou uma decisão categórica sobre a questão. Impôs obediência ao código deontológico, o exercício permanente e remunerado de funções, a escolaridade obrigatória, quatro anos de experiência ou tarimba e um estágio obrigatório de 24 meses, teoricamente orientado por um jornalista, mas efectivamente sem regras. Uma alteração legal, publicada em 2007, valorizou um pouco mais a licenciatura, reduzindo o estágio dos licenciados de 18 para 12 meses e obrigou as empresas de comunicação social a comunicarem à Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas (CCPJ) e ao conselho de redacção (se existente) a admissão de todos os estagiários e o nome dos orientadores. Que se saiba, esta informação nunca foi submetida.
Há um enorme lirismo na exaltação das virtudes dos saberes complementares que se juntam nas redacções e da tarimba como escola de vida. Pedindo desculpa aos muitos jornalistas que conheço e que compensaram a ausência de formação específica com o saber acumulado na redacção, considero que esse acesso franqueado constitui ainda um contributo para a amálgama identitária referida.
O problema de fundo continua a ser a falta de uniformidade nos mecanismos de acesso. Impõe-se, a meu ver, a uniformização curricular das licenciaturas que pretendam formar jornalistas, incorporando a dimensão técnico-profissional nos programas, sem desleixar a dimensão deontológica, a preparação tecnológica e o enquadramento profissional num contexto mais amplo de preparação intelectual. Impõe-se a redução e triagem das instituições credenciadas para fazer esta formação. Impõe-se o recurso a jornalistas e a empresas de jornalismo para colaborar na construção destes programas. Impõe-se ainda a credibilização do estágio de acesso à redacção e da respectiva orientação. Impõe-se por fim a vigilância e sanção dos profissionais não certificados que, como o médico que se prepara para operar sem licença, não estão credenciados para o fazer.
Uma das limitações do Estatuto do Jornalista é a designação do poder de atribuição e cassação da carteira profissional à CCPJ, presidida por um juiz. Essa formulação constitui uma ingerência intolerável no processo de formação profissional, uma regulação externa que, em conformidade com as ideias acima expressas, deveria recair exclusivamente sobre os ombros de jornalistas. Será mais um elemento para o debate que urge fazer sobre a oportunidade e mérito de estruturar o jornalismo em torno de uma ordem profissional.
domingo, setembro 20, 2009
Museu Geológico, Lisboa
Se recear a gripe A, deve seguramente fugir às multidões e aos espaços mais lotados. Desse ponto de vista, brincava um amigo, os museus são a solução ideal. Assim como assim, estão sempre vazios.
Infelizmente, esse era o panorama ontem do Museu Geológico, na Rua da Academia das Ciências. Éramos os únicos visitantes do espaço a meio da manhã de sábado e dificilmente justificámos a corajosa decisão do museu de abrir as portas também ao sábado - sobretudo com tão poucos funcionários.
O Museu Geológico é uma máquina do tempo. Transporta-nos para o século XIX mal franqueamos a entrada. O arranjo das vitrinas, as duas salas muito amplas e geométricas, as etiquetas de marcação dos objectos envelhecidas pelo tempo dão-nos conta de uma outra ideia de musealização. O espaço é um museu dentro de um museu.
Tem a colecção mais espantosa de fósseis paleontológicos do país, resultado do trabalho metódico dos Serviços Geológicos portugueses no século XIX e primeira metade do século XX. Curiosamente, se Portugal foi dos primeiros países europeus a criar um serviço dedicado à geologia, foi também dos primeiros a abandoná-lo à sua sorte, motivo pelo qual este Museu Geológico já passou por tutelas com pouca ou nenhuma afinidade com o tema. Como o INETI.
O Museu é um espaço notável, uma espécie de segredo partilhado pelas centenas de pessoas que o conhecem e apreciam. As colecções de Paleontologia e Arqueologia reportam-nos para os primórdios destas duas ciências em Portugal. Não ficam muito distantes de colecções expostas noutros países. Aqui, porém, estão às moscas, apesar do dinamismo e das iniciativas de promoção desenvolvidas pelo actual director e pelo seu antecessor. Olha-se para o fémur de um apatossauro ou para o crânio de um crocodilídeo e imagina-se a sala repleta de crianças em idade escolar, abismadas (como a minha estava) com a proximidade do legado dos dinossauros. Uma coisa é ver pistas de dinossauros impressas na rocha; outra, bem diferente, é tocar num osso fossilizado de um gigante.
Recentemente, o Museu assumiu a expansão para uma terceira sala, a de mineralogia. Embora destoe das duas salas originais, é o espaço mais moderno do Museu e aquele que ainda recebe novos acervos. O Depto. de Geologia da Somincor e a missão de exploração das fontes hidrotermais no Atlântico fizeram generosas contribuições de materiais, que ajudam a embelezar este espólio e, sobretudo, a torná-lo mais relevante, dando conta de duas das missões contemporâneas que não dispensam a geologia - a exploração do fundo do mar e o aproveitamento de recursos minerais.
domingo, setembro 13, 2009
Pedreira do Avelino 2009
No sábado, estive na Pedreira do Avelino, no Zambujal, perto de Sesimbra. Guiado pela Vanda Santos, paleontóloga do Museu Nacional de História Natural (MNHN), conheci aquela jazida em 2002, mais de 25 anos depois de Miguel Telles Antunes ter identificado as pegadas de saurópodes e ter persuadido o proprietário do terreno a poupar a laje.
Em 1997, por pressão do MNHN, a laje (onde se cruzam dois trilhos - de um saurópode adulto e outro juvenil - e onde se detectam mais três pistas) foi classificada como Monumento Natural, apesar de continuar a pertencer a um particular e de a Câmara Municipal de Sesimbra me ter comunicado, em 2002, que não lhe interessava comprar o terreno porque - e cito - "tinha melhores formas de chamar turistas ao concelho".
Em 2002, o proprietário ainda tinha esperança de que o processo chegaria a bom porto. Em 2009, depois de doze anos de espera, a laje foi cercada. Cercada de vegetação, de lixo e de restos de materiais de construção.
Quem conhece ainda lá vai e, enquanto foge às silvas e aos cacos de vidro, tenta explicar aos amigos o que ali está.
Um dia, o proprietário "enganar-se-á" e destruirá a laje por descuido. Quem o censura?
quinta-feira, julho 30, 2009
A Rosa ao Vento
Há seis anos, aqui na National Geographic, decidimos fazer um artigo sobre um especialista em Descobrimentos (cujo nome omito para não o misturar nesta história de rabos ao léu).
Levámo-lo à Rosa dos Ventos de Belém para o Nuno Correia fazer a fotografia que abriria o perfil. Ao fim de cinco minutos, já com o tripé montado, apareceu o segurança da Torre de Belém, que insistiu que ali não se faziam fotografias. Fomos falar com o responsável pelo monumento.
"Não pode ser, não podem tirar fotografias aqui sem me avisar", disse ele, ignorando olimpicamente os milhares de turistas que ali vão todos os dias, de máquina na mão. Acabámos por completar a sessão fotográfica, não sem antes prometer ao zeloso guardião do monumento que lhe ofereceríamos cinco ou seis exemplares.
Ora, a Playboy deste mês faz um "ensaio" com uma menina nua em cima da dita rosa dos ventos. A senhora deita-se sobre a Madeira, pisa ao de leve os Açores e sobrepõe-se a uma das rotas atlânticas do século XV. Poderão os senhores leitores explicar o racional desta autorização?
Muito agradecido.
(às tantas, a sessão foi autorizada mas a revista vai ter de oferecer muito mais exemplares!!!)
Levámo-lo à Rosa dos Ventos de Belém para o Nuno Correia fazer a fotografia que abriria o perfil. Ao fim de cinco minutos, já com o tripé montado, apareceu o segurança da Torre de Belém, que insistiu que ali não se faziam fotografias. Fomos falar com o responsável pelo monumento.
"Não pode ser, não podem tirar fotografias aqui sem me avisar", disse ele, ignorando olimpicamente os milhares de turistas que ali vão todos os dias, de máquina na mão. Acabámos por completar a sessão fotográfica, não sem antes prometer ao zeloso guardião do monumento que lhe ofereceríamos cinco ou seis exemplares.
Ora, a Playboy deste mês faz um "ensaio" com uma menina nua em cima da dita rosa dos ventos. A senhora deita-se sobre a Madeira, pisa ao de leve os Açores e sobrepõe-se a uma das rotas atlânticas do século XV. Poderão os senhores leitores explicar o racional desta autorização?
Muito agradecido.
(às tantas, a sessão foi autorizada mas a revista vai ter de oferecer muito mais exemplares!!!)
sexta-feira, julho 24, 2009
Um Terreiro, vários cais

A escavação foi mantida em sigilo. De Maio a Julho, o achado entusiasmou um círculo remoto de arqueólogos envolvidos. No coração de Lisboa, à vista de todos, o segredo foi guardado.
O que existia em Lisboa antes do terramoto de 1755? COmo era o Terreiro do Paço? As obras de saneamento em curso destaparam um monumento fundamental da história da primeira globalização. O cais, ou melhor, as várias soluções de cais foram emergindo. E assim, a alguns metros do actual nível do solo, surgiu o cais filipino de onde partiram tantas embarcações para os quatro cantos do império.
Temia-se que tivesse sido destruído pelo maremoto ou simplesmente desmontado com os aterros posteriores a 1755. Afinal, ele estava lá. Pedra a pedra.
Texto da equipa de arqueólogos liderado por Maria Luís Blot, fotografias de Luís Faustino /4see e impagável infografia da Anyforms. Privilégio da edição de Agosto da National Geographic.
quinta-feira, julho 16, 2009
Brian Skerry em Lisboa
É um dos meus fotógrafos favoritos. Fotografa em ambiente subaquático para a National Geographic e foi o autor de algumas das mais emblemáticas reportagens da revista nos dois últimos anos. Fotografou as tartarugas-de-couro (aqui), que a edição portuguesa publicará em Agosto. Assinou, juntamente com Randy Olson, uma reportagem incrível sobre a crise mundial das pescas (aqui). Outra sobre uma reserva quase intacta na Nova Zelândia(aqui). É dele ainda uma reportagem sobre baleias-francas, que estará exposta no Oceanário de Lisboa de 1 a 15 de Agosto, integrada no Festival dos Oceanos.
A convite da Realizar e da organização do Festival dos Oceanos 2009, Brian Skerry dará uma palestra no Oceanário, na noite de dia 10, com entrada livre.
Mesmo em férias, tentarei lá estar. Façam favor de marcar também na agenda a data.
A convite da Realizar e da organização do Festival dos Oceanos 2009, Brian Skerry dará uma palestra no Oceanário, na noite de dia 10, com entrada livre.
Mesmo em férias, tentarei lá estar. Façam favor de marcar também na agenda a data.
segunda-feira, maio 25, 2009
Tribuna do Leitor, Público, 25 de Maio
"Lisboa sem remédio
A aplicação na legislação portuguesa das directivas comunitárias sobre ruído urbano foi rápida e saudável, culminando, em Janeiro de 2007, com a publicação do Regulamento Geral do Ruído (Decreto-lei 9/2007, de 17 de Janeiro). Infelizmente, neste caso como em tantos outros, autarquias como a de Lisboa assobiam para o ar e não fazem respeitar a lei.
Historiemos um caso: moro no Alto do Lumiar, numa das novas urbanizações ali construídas desde o início do século XXI. Há cerca de quatro anos, com a precisão matemática dos melhores relógios suíços, tive o azar de ficar a conhecer pormenorizadamente o ventilador de desenfumagem da garagem do prédio em frente, que começa a trabalhar sempre à mesma hora, durante 60 minutos. Faça chuva ou sol, no Inverno ou no Verão, estejam muitos ou poucos carros ali estacionados, o ventilador trabalha com a tranquilidade de um batalhão de infantaria.
Como muitos vizinhos, tenho uma criança pequena em casa, que costuma (tentar) dormir àquela hora. Aguentei bastantes meses, mas em Julho do ano passado formalizei uma queixa no Departamento de Ambiente e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa (CML) ao abrigo do referido Regulamento (n.º 1, do artigo 13). Combinei para Setembro os exames acústicos na minha habitação que a lei prevê para estes casos.
A legislação refere que a diferença entre a medição acústica do ruído provocado pelas actividades perturbadoras em avaliação e o valor indicador do ruído residual (a minha rua, num intervalo de tempo em que o referido ventilador não esteja a funcionar) não pode exceder 5 dB no período diurno. Como não seria de estranhar, a medição apurou um diferencial de quase 30 dB com a minha janela de vidro duplo aberta e de 20dB com ela fechada. Recordo que dois sinos de igreja a tocar em simultâneo geram cerca de 20 dB. Agora, tirem um instante para imaginar um "concerto" de uma hora com dois sinos em simultâneo...
Em Dezembro, recebi um ofício da CML confirmando que a queixa tinha sido deferida e que o proprietário do edifício onde funcionam os ventiladores seria informado para pôr termo à fonte de ruído. No início de Janeiro, escrevia-se, a situação estaria regularizada. Cinco meses depois, continua tudo na mesma. Na mesma, perguntarão os leitores do PÚBLICO? Bom, o ruído mantém-se e o miúdo continua a não dormir à hora do ventilador. Mas, pelo menos, já tenho um papel que me diz que eu tenho razão. Talvez quando o rapaz se inscrever no serviço militar, a CML tenha tido a bondade de fazer cumprir a lei."
A aplicação na legislação portuguesa das directivas comunitárias sobre ruído urbano foi rápida e saudável, culminando, em Janeiro de 2007, com a publicação do Regulamento Geral do Ruído (Decreto-lei 9/2007, de 17 de Janeiro). Infelizmente, neste caso como em tantos outros, autarquias como a de Lisboa assobiam para o ar e não fazem respeitar a lei.
Historiemos um caso: moro no Alto do Lumiar, numa das novas urbanizações ali construídas desde o início do século XXI. Há cerca de quatro anos, com a precisão matemática dos melhores relógios suíços, tive o azar de ficar a conhecer pormenorizadamente o ventilador de desenfumagem da garagem do prédio em frente, que começa a trabalhar sempre à mesma hora, durante 60 minutos. Faça chuva ou sol, no Inverno ou no Verão, estejam muitos ou poucos carros ali estacionados, o ventilador trabalha com a tranquilidade de um batalhão de infantaria.
Como muitos vizinhos, tenho uma criança pequena em casa, que costuma (tentar) dormir àquela hora. Aguentei bastantes meses, mas em Julho do ano passado formalizei uma queixa no Departamento de Ambiente e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa (CML) ao abrigo do referido Regulamento (n.º 1, do artigo 13). Combinei para Setembro os exames acústicos na minha habitação que a lei prevê para estes casos.
A legislação refere que a diferença entre a medição acústica do ruído provocado pelas actividades perturbadoras em avaliação e o valor indicador do ruído residual (a minha rua, num intervalo de tempo em que o referido ventilador não esteja a funcionar) não pode exceder 5 dB no período diurno. Como não seria de estranhar, a medição apurou um diferencial de quase 30 dB com a minha janela de vidro duplo aberta e de 20dB com ela fechada. Recordo que dois sinos de igreja a tocar em simultâneo geram cerca de 20 dB. Agora, tirem um instante para imaginar um "concerto" de uma hora com dois sinos em simultâneo...
Em Dezembro, recebi um ofício da CML confirmando que a queixa tinha sido deferida e que o proprietário do edifício onde funcionam os ventiladores seria informado para pôr termo à fonte de ruído. No início de Janeiro, escrevia-se, a situação estaria regularizada. Cinco meses depois, continua tudo na mesma. Na mesma, perguntarão os leitores do PÚBLICO? Bom, o ruído mantém-se e o miúdo continua a não dormir à hora do ventilador. Mas, pelo menos, já tenho um papel que me diz que eu tenho razão. Talvez quando o rapaz se inscrever no serviço militar, a CML tenha tido a bondade de fazer cumprir a lei."
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Solidariedade total
Porque há assaltos de colarinho branco. Porque o ICNB não parece ter noção do que é uma área protegida. Porque se torna cada vez mais difícil fazer jornalismo sobre conservação da natureza em Portugal.
Podia ter sido eu a escrever, mas o José Antunes antecipou-se. Subscrevo tudo.
Podia ter sido eu a escrever, mas o José Antunes antecipou-se. Subscrevo tudo.
terça-feira, janeiro 27, 2009
domingo, janeiro 25, 2009
Fernando Bragança Gil (1927-2009)
Correspondia-me regularmente com ele mas nunca o conheci pessoalmente. Há poucos cientistas que se possam gabar de, por sua iniciativa, terem aberto um novo campo de actividade. Fernando Bragança Gil foi cientista mas foi também historiador. Ensinou-nos que a ciência não pode ser entendida fora do contexto da sua época, da sociedade que a produz, que a incentiva ou reprime. Ensinou-nos que o desenvolvimento precoce da astronomia em Portugal não pode ser desligado de um projecto de sociedade iluminista, de compreensão de tudo o que nos rodeia. Ensinou-nos também que a estagnação científica do século XIX, por penúria financeira, crises políticas e mililtares e falta de vocação política, custou-nos caro e tem reflexos, ainda hoje, na nossa iliteracia científica.
Por sua acção, Fernando Bragança Gil levou-me a investigar temas da história da ciência e a noticiá-los regularmente. Foi um pioneiro e uma referência. Deixou uma obra inesquecível.
Por sua acção, Fernando Bragança Gil levou-me a investigar temas da história da ciência e a noticiá-los regularmente. Foi um pioneiro e uma referência. Deixou uma obra inesquecível.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
terça-feira, janeiro 20, 2009
Direito de resposta a João Pedro Barreiros
Meu caro João Pedro Barreiros,
Um dia, quando chegar à sua idade, espero ter desenvolvido um sentido agudo de juízo e bom senso, aptidões que, infelizmente, não se compram na botica, embora alguns pareçam necessitados de doses cavalares.
Conhecendo o seu currículo, cuidei que teria juízo
para não travar as batalhas dos outros ou deixar-se enlamear por uma causa que
não é sua. Esperaria uma atitude destas, mais própria de um moço de recados do
que de um docente universitário, de um aluno ou de um professor em início em
carreira. Num professor auxiliar, com a carreira salvaguardada, parece-me mais
difícil de perceber que destile ódio por tão pouco.
No final, João Pedro, você sai mal na fotografia, passa por incontinente verbal depois de uma grosseria que produziu um efeito que nunca esperei - a solidariedade de gente da sua própria faculdade que, concordando ou discordando com a opinião que emiti, teve a amabilidade de me pedir desculpa em nome da instituição.
Vamos então ao contraditório.
No sítio de onde venho, normalmente, as ideias
debatem-se. Um indivíduo propõe uma tese; o outro contesta com uma tese
alternativa. E, do debate que se segue, emerge porventura uma versão mais
completa e mais abrangente. No entanto, se ao primeiro sintoma de discordância,
reagirmos aos berros, acusando os outros de incompetência, ignorância e
tiroidismo (finíssimo, o seu dichote, finíssimo!), parece-me que não temos
debate. Temos gritaria e silogismos próprios dos homens das cavernas, com os
quais o João Pedro está seguramente à vontade, mas o debate esconde-se,
envergonhado. Se quer contestar ideias, vamos a isso. Se não tem nada para
apresentar, parece-me mais prudente encostar-se a um canto e deixar os senhores
que conseguem debater sem berrar participar.
Dizem-me de Angra que o João Pedro finalmente realizou
em Abril as suas provas de agregação. Folgo em tomar conhecimento de uma
notícia há tanto atrasada. Imagino que então terá posto em prática a capacidade
de raciocínio e a continência verbal que lhe parecem faltar noutras ocasiões,
onde, garanto-lhe, perde mais do que ganha.
Para que fique claro e não me guarde rancores, não sou eu o responsável pela sua lenta progressão na carreira. Não sou eu o responsável pelo desconforto que os grupos de investigação nacionais sentem quando têm de cooperar consigo num projecto. Não sou seguramente eu o culpado por, no café, o olharem de soslaio, sem os salamaleques a que gostaria de ter direito, como professor universitário. E, afianço-lhe, não sou eu o responsável por o Departamento de Oceanografia e Pescas ter projecção internacional, com natural expressão nos meios de comunicação que abordam a ciência, enquanto ao João Pedro estão guardadas as páginas sempre disponíveis (e, neste caso, tristemente disponíveis) do “Diário Insular”. Fica-lhe mal esse desconforto quando lê elogios aos colegas. Afinal, se vestiu a camisola da universidade para sentir as suas dores, deveria ficar radiante com o reconhecimento público de um dos seus melhores departamentos.
Agradeço-lhe o cuidado com a saúde da edição
portuguesa da National Geographic. Felizmente, embora não o conte como leitor,
a revista está bem e recomenda-se. Chega a 400 mil pessoas todos os meses
(dados do último Bareme da Marktest) e, folgo em dizê-lo, relata frequentemente
a actividade científica válida do arquipélago dos Açores. Não tivemos ainda
oportunidade de relatar um dos seus projectos, é verdade, mas aguardarei pelo
próximo artigo de etnografia e folclore para colmatar essa falha.
Ao longo dos anos, escutei críticas bem fundamentadas de colegas seus, queixando-se da falta de acesso aos media para comunicar e divulgar ciência. Vejo, por este caso, que é necessário algum pudor antes de abrir o espectro mediático a qualquer docente universitário. Imagino aliás que os papás e as mamãs dos seus alunos terão ficado encantados com a elegância e trato de quem educa os seus filhos. Infelizmente, verifica-se que o privilégio do acesso à educação não gera necessariamente adultos bem educados.
Não lhe devolvo a caricatura por manifesta falta de tempo, mas confesso que fiquei intrigado com a capacidade de um indivíduo que, pago a tempo a inteiro para investigar, ainda encontra tempo, entre o café, as guitarras e os arpões, para aprimorar o traço.
Ah, se a sua desenvoltura na produção escrita acompanhasse esse ritmo, que investigador o país não teria! Mesmo assim, feliz da instituição que se ufana de ter um biólogo tão multifacetado entre os seus quadros.
Espero sinceramente que este triste assunto termine aqui. Não vejo necessidade de gastar mais tempo e espaço com assuntos que, com reflexão, poderiam nunca ter saído do tinteiro, sem envergonhar quem neles participa.
domingo, janeiro 18, 2009
Não se esqueçam de culpar o "gordo"...

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia divulgou as avaliações mais recentes às Unidades de I & D em Portugal. Como seria de esperar, as classificações de "excelente" limitaram-se às instituições do Centro, Algarve, Lisboa/Vale do Tejo e Norte.
Na maior parte das instituições, foi estimulada uma reflexão sobre estas avaliações. Noutras, soltou-se fogo de artifício a despropósito e mandou-se matar o mensageiro.
Nestas coisas, já se sabe, há sempre um tonto disposto a fazer o trabalho sujo, como o filho do general.
E assim lá vamos, cantando e rindo...
segunda-feira, março 10, 2008
Uahuahuahuahua!

Extraído de um press release da Salvador Caetano, sobre uma campanha (meritória) de plantação de árvores.
Pitões dos Juniores??? No Gerês, imagino!!!!
Documento original "aqui" (em 10/03/2008)
domingo, fevereiro 10, 2008
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